Não vou dizer o mundo de ninguém
Não tenho esse direito
E o meu braço esquerdo nada tem,
Que talvez seja medo, esse seu preconceito.
Não, não vou dizer ao mundo
Porque a minha voz é rouca
E a vida que se escuta, então, é pouca.
Já nada tenho a dizer ao mundo
Pois nada ele me tem a escutar.
Sabemos que nada sabemos
Alguém disse um dia.
Aquilo que eu não disse ao mundo
Mais alguém o calaria.
20.10.2015
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Tenho que ver se vou
Acordar os meus medos
Que os secretos lugares em que estou
já não são segredos.
Prefiro contar as estrelas só por vê-las, devagar,
Cruzar desassossegos, rindo do meu pesar
E eu, por meu lamento, tenho que ver se vou
Pisar mais umas pedras com força.
Para saber que estou.
Sentada neste canto que de encanto não tem nada,
Falta-me a vontade.
É tarde, não é madrugada,
E eu estou aqui inteira de mim, não sou metade.
Do que estas paredes viram, que não são surdas, são cegas.
Estou calada, faço de mim um nada.
Inteira, não sou metade, deixo metade de mim.
E vou agora, tenho que ver se vou,
Não fico nem mais um minuto neste corpo,
Que tanto aguentei dele como ele aguentou,
24.09.2015
Acordar os meus medos
Que os secretos lugares em que estou
já não são segredos.
Prefiro contar as estrelas só por vê-las, devagar,
Cruzar desassossegos, rindo do meu pesar
E eu, por meu lamento, tenho que ver se vou
Pisar mais umas pedras com força.
Para saber que estou.
Sentada neste canto que de encanto não tem nada,
Falta-me a vontade.
É tarde, não é madrugada,
E eu estou aqui inteira de mim, não sou metade.
Do que estas paredes viram, que não são surdas, são cegas.
Estou calada, faço de mim um nada.
Inteira, não sou metade, deixo metade de mim.
E vou agora, tenho que ver se vou,
Não fico nem mais um minuto neste corpo,
Que tanto aguentei dele como ele aguentou,
24.09.2015
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
São pesadas as rimas,
Inteiramente feitas de pedaços,
E as linhas
São traços onde se escrevem as agonias.
As pequenas coisas que escrevi,
Li-as.
E não sou eu.
Nunca fui,
Nem as rimas.
Fujo à poesia como tortura sedenta de mais,
Papeis rasgados de um livro,
Perdidos no chão.
Achava eu haver conseguido
Um momento.
Mas a poesia
É para quem a cria
Um alento à solidão.
Rios que correm
Abrindo caminho
E achando-me louca, riem de mim,
E eu definho.
São pesadas,
Inteiramente feitas de pedaços,
As rimas,
A quem, em último caso,
Peço carinho.
Inteiramente feitas de pedaços,
E as linhas
São traços onde se escrevem as agonias.
As pequenas coisas que escrevi,
Li-as.
E não sou eu.
Nunca fui,
Nem as rimas.
Fujo à poesia como tortura sedenta de mais,
Papeis rasgados de um livro,
Perdidos no chão.
Achava eu haver conseguido
Um momento.
Mas a poesia
É para quem a cria
Um alento à solidão.
Rios que correm
Abrindo caminho
E achando-me louca, riem de mim,
E eu definho.
São pesadas,
Inteiramente feitas de pedaços,
As rimas,
A quem, em último caso,
Peço carinho.
domingo, 14 de junho de 2015
27.03.2015
Agora deixas que o tempo morra
Feito dono desmedido do que lhe atenta.
Faz com que o sono deixe antes
A tua mente lenta
E a vida corra.
Agora já não sabes o teu nome,
Aquilo que escreves no teu corpo é carícia sedenta.
Não faças mais nada, espera, da vida o seu perfume,
Que a vida é mais vida que aquilo que o corpo tenta.
Agora podes ser só mais um no teu espírito.
Pensa, não faças, dança, que o tempo é finito.
27.03.2015
Foi o que foi este entretanto
Em que me torno
Dona de mim mesma, de ti,
Dos afins de um tempo
Em que sorri, morri.
No desespero em que faço
Mais um pouco de mim,
O que escrevo não me faz minha;
Tão pouco dona de mim,
Sê-me então.
Fui mais um pouco, talvez, talvez não.
Sou o que o tempo traz e me deixa na mão.
23.03.2015
Derramem as loucuras só mais um pouco
Por mais que puras
Que a lua sob este azul já não sabe medir os sentimentos.
A lua sob este azul, imponente tortura,
Mais um porto de sabedoria, de loucura,
Que aproveito mais que só nestes momentos.
Sobre o virar a página não digo mais nada
E as vísceras, do avesso me são nada,
E uma madrugada, talvez,
Sei o avesso de mim, da forma que não me vês,
E dá-me úlceras.
´
Sob mim sei lá o que serás:
Menos que a lua sob este azul,
Mais do que a forma como me vês.
Derramem as loucuras só mais um pouco
Por mais que puras
Que a lua sob este azul já não sabe medir os sentimentos.
A lua sob este azul, imponente tortura,
Mais um porto de sabedoria, de loucura,
Que aproveito mais que só nestes momentos.
Sobre o virar a página não digo mais nada
E as vísceras, do avesso me são nada,
E uma madrugada, talvez,
Sei o avesso de mim, da forma que não me vês,
E dá-me úlceras.
´
Sob mim sei lá o que serás:
Menos que a lua sob este azul,
Mais do que a forma como me vês.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Sou escrava
De um castigo que me ponho,
Assim definho.
Nem o banho que me lava
Ou o café que me desperta
Cria O sonho.
A esperança que já tive
Não me dá imensidão,
Não me ilumina.
Carente do que me tenho,
Já nem o medo em mim vive,
Não sou minha.
Sou escrava
Deste perigo em que me largo, proeminente.
Vou cair.
E desta escravidão
Já nem me resta o coração
Que me desmente.
De um castigo que me ponho,
Assim definho.
Nem o banho que me lava
Ou o café que me desperta
Cria O sonho.
A esperança que já tive
Não me dá imensidão,
Não me ilumina.
Carente do que me tenho,
Já nem o medo em mim vive,
Não sou minha.
Sou escrava
Deste perigo em que me largo, proeminente.
Vou cair.
E desta escravidão
Já nem me resta o coração
Que me desmente.
Não sei escrever mistério
Do lirismo em que se olham eloquentes
Os carinhos que te dou
E me desmentes.
E assim profundo,
Pedes a esse mar que te recorde.
Furas com os teus passos um caminho no teu mundo
Que cada gota lambe
E cada palavra morde.
No final, não sou mais nada
Anterior à madrugada em que adormeces.
Cega-me a loucura,
Deixa-me calada,
Afoga-me nesse mundo que com os teus passos teces.
Do lirismo em que se olham eloquentes
Os carinhos que te dou
E me desmentes.
E assim profundo,
Pedes a esse mar que te recorde.
Furas com os teus passos um caminho no teu mundo
Que cada gota lambe
E cada palavra morde.
No final, não sou mais nada
Anterior à madrugada em que adormeces.
Cega-me a loucura,
Deixa-me calada,
Afoga-me nesse mundo que com os teus passos teces.
domingo, 14 de setembro de 2014
Fui saber se alguém falava
Uma outra voz além da tua
Após as estrelas.
E fui, após as estrelas,
Muito além depois da Lua
P'ra escutá-la.
Nada dizia essa outra voz
Que se pensava mais que a tua,
Hoje, ao deitar-se.
Foi no silêncio que prendi
Esse teu corpo, de mim nua
A apoderar-se.
E as vezes que me ouviu cantar
Foram, sim, poucas
A julgar que te encantava.
Mesmo que encante o teu pesar,
Sabendo-me capaz de amar,
Já eu te amava.
Não peques por te engrandeceres,
Estas palavras nada são
De madrugada.
A rima vai desvanecer,
E o encanto desaparecer,
Não vão ser nada.
Permie-me antes que te diga
Que aquilo que me castiga
Nada mais é que onda parada,
Saudade que não foi sarada.
Uma outra voz além da tua
Após as estrelas.
E fui, após as estrelas,
Muito além depois da Lua
P'ra escutá-la.
Nada dizia essa outra voz
Que se pensava mais que a tua,
Hoje, ao deitar-se.
Foi no silêncio que prendi
Esse teu corpo, de mim nua
A apoderar-se.
E as vezes que me ouviu cantar
Foram, sim, poucas
A julgar que te encantava.
Mesmo que encante o teu pesar,
Sabendo-me capaz de amar,
Já eu te amava.
Não peques por te engrandeceres,
Estas palavras nada são
De madrugada.
A rima vai desvanecer,
E o encanto desaparecer,
Não vão ser nada.
Permie-me antes que te diga
Que aquilo que me castiga
Nada mais é que onda parada,
Saudade que não foi sarada.
terça-feira, 8 de julho de 2014
Porque o direccionar de almas
É desperdício de tempo entre as nossas calmas,
E desassociação de ímpetos de amor.
Pois o que o calor traz
Não é mais que o que se faz
Depois do frio,
Pois, e eu só me rio do entretanto,
Que palavra mais gasta
No instante que se culpa.
Não se desculpam carinhos...
Sem que a ingenuidade lhes falte.
Vou perder o que joguei.
E ganhar tudo o que não sei,
Já sem o ler,
E escrevê-lo sem nele crer
Não é amor,
É pudor à solidão
Que nos encanta, que nos espanta
O coração.
Dorme-me no frio, se me tens,
Que o calor em que não vens
Não me traz calma,
Destrói-me lentamente a alma.
É desperdício de tempo entre as nossas calmas,
E desassociação de ímpetos de amor.
Pois o que o calor traz
Não é mais que o que se faz
Depois do frio,
Pois, e eu só me rio do entretanto,
Que palavra mais gasta
No instante que se culpa.
Não se desculpam carinhos...
Sem que a ingenuidade lhes falte.
Vou perder o que joguei.
E ganhar tudo o que não sei,
Já sem o ler,
E escrevê-lo sem nele crer
Não é amor,
É pudor à solidão
Que nos encanta, que nos espanta
O coração.
Dorme-me no frio, se me tens,
Que o calor em que não vens
Não me traz calma,
Destrói-me lentamente a alma.
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