segunda-feira, 8 de abril de 2013

Uso as palavras para calar vozes
E, imperfeitamente, deslocar sentidos à razão.
É sem querer que piso onde não podes
Pisar sequer sem querer tu o meu chão.

Fico-me onde o sono é mais feroz,
Onde no sonho encontro o meu desfecho,
Chamo por esse nome já sem voz
E quando por fim vem, dele me desleixo.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Tocas o insossego sem razão,
Fazes-lhe medo.
Perdes o silêncio no segundo
Em que não seguras a minha voz
Com os teus lábios.
Faz os meus segredos sábios.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Nada me tens.
Nada mais do que um olhar entre quimeras.
Vicias fantasias que recolhes para viver.
Sabes-te menos, sens saberes.
E sem saberes, mesmo assim te veneras.
Nada me tens, meu amor.
Nem o que resta dessa esperança que me olhes.
Vicias fantasias sem saberes o que é viver,
Talvez não serei eu esposa do saber,
Mas mesmo assim, te proliferas.

E já cansada de tudo o que é dizer
Arrisco-me a ficar entre o silêncio que não olhes
E a minha lembrança do prazer,
Pois já de não saber de onde vens,
Ou sequer para onde vais, se não te colhes,
Apenas sei viver que não me tens.
Nada me tens.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Fecho os olhos
Para não me veres.
Chama-me a loucura
À razão de não me quereres, vento.

E eu fujo com mais força,
Finjo com mais força,
Mas não fico.
Fico onde não sopras,
Ó vento,
Nessa última recordação
Que não guardo
Do teu carinho.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Vais soluçar na água que te lava
No teu banho de socalcos desenhados,
Só para saberes o que o amor crava,
Nos teus pés ainda descalços.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Escrevo uma ode ao tempo
Que não me afagou,
E ao frio do relento
Que não me aconchegou.
Peço-lhe esperança
Para não dizer
Que o que fica do tempo
Não sabe viver.
Escrevo uma ode à água
Que não se lavou
Por toda a mágoa
Que em mim deixou,
Que não se fique
Sem transtorno,
Que ao volver
Em mim me torno,
E essa ode que escrevo
Ao tempo,
Lava-a a água
Sem tormento.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Chora em quatro graus diferentes o teu choro, e em cada um deles, um segredo.
Prometes-te abrir a porta certa
Mas voltas a fechá-la sem me deixares passar.
Prometes-te ver da janela aberta
O que puseste a arejar.
E os quatro segredos do teu choro
Vão além do que odeio ou do que adoro,
São nem mais nem menos que o lacrimejar
Desses teus passos.
Chora em quatro graus diferentes
O teu choro, e em cada um deles, um segredo.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Contam-se os avisos do vento,
Vai deixar de soprar ao teu ouvido.
Nem o suspiro mais lento
Que alguma vez haverás lido.

Ficas-te em rumores que não controlas
Poesia sem saber que será louca,
E a muita loucura que isolas
Rogas à tua pele que seja pouca.

Contam-se os suspiros do vento
Em promessas que se deixam diluir,
Não mais os ouvirás no tempo
Saberás o que é demais no seu fugir.

domingo, 26 de agosto de 2012

Leva o vento contigo
E dá-lhe a volta
Com suspiros.

Quase me confundes
Nesse teu silêncio oculto
De mar.
Como se pedisses
Para não voltar
A iludir-me.
Uso o sorriso
Para não ficar,
Ficas tu
E o tempo
A sacudir-me.

Quase me prometes
Esse teu silêncio oculto
De amar.
Como se pedisses
P'ra desiludir-me.
Uso o sorriso
Para não ficar,
Ficas tu
E o tempo
A dividir-me.