quarta-feira, 13 de junho de 2012

Desejo ter controlo sobre o mundo sem estar fraca,
E despedir o certo do seu chão.
Chamar o ocidente a adormecer-me, se estou louca,
E perder a razão.
Inventar sob a terra esta vontade que em mim brota
de criar sonho onde não há paixão.
E deixar isso tudo para quem não sabe a rota,
Ou o caminho na distância do amor à emoção.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Fico para dançar a dança que te pedi
E fica a dança dormente no corpo que encosto a ti,
Mais lento que lentamente
Me deixo a deixar ficar,
E fica o corpo que mente,
Sem se deixar de dançar.

domingo, 3 de junho de 2012

Como se quisesse fugir,
Fico,
À beira do oceano de chão.
E espero, quase sem razão
A liberdade de te ver.


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Hoje, e só hoje, quero fazer da poesia prosa. E tudo porque não a soube sentir. E fecho os olhos para pedir que me ensines, quase como ensinaste esses meus olhos a sorrir.
Hoje, e só hoje, serei sereia em alto mar, cantar sob encantos do céu, pedir-lhe e às estrelas para amar. E no mar, deixar nadar palavras na ondulação, pedir à água que tas faça chegar ao coração.
Hoje e só hoje.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Espero que chegue
O que ficou.
Nada mais do que silêncios
Que o vento deixou.
Não, sem não querer,
Espero que vá,
Enevoado de caminhos,
Lento e só,
Perdido.
Isso que esperei,
Andou perdido.
Espero que chegue
Aonde não estou.
Deixando rasto
Por onde não passo.
Levando casto,
Todo esse espaço,
Onde nunca me levou.

domingo, 20 de maio de 2012

Se fosse o mar, não se veria a margem,
Ou as estrelas, não se sentiria a dor.
E tudo o que fica da paisagem
Ou se guarda sem rancor
Está para lá nesta viagem.
Chamemos-lhe "amor".

domingo, 13 de maio de 2012

Vou levar o vento fechado no meu peito
Porque a dor assim mo pede, que arrefeça
Sem saudade, perderei o casto leito
Sem que nada no fulgor de mim me aqueça.

Vou deixar de escrever cartas,
Que, mais do que disse, motes não existem.
As respostas estão nos ventos que se sentem
E as caixas que os sustêm já estão fartas.

No frio o arrepio não se prende,
Deixa-se apenas lento na verdade.
E o que se sente na realidade
É ilusão num corpo que se vende.

domingo, 6 de maio de 2012

Querem-se cegar as entrelinhas do conforto
Porque alguém disse que sim.
E o que não vem pela espera,
Que se deixou ficar morto,
Perde-se, no fim.


Querem-se cegar as amarras do desassossego
Porque o chão foge

E o corpo que não tem medo
Não é lento nem é ledo,
Perde-se no seu hoje.


Querem-se desarmar as gotas do que bebo
E as estrelas já não são manchas de céu.
Querias ser o mais do que o soberbo,
O que tens, já não tens cedo,
E o que perdes não é teu.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Pintei com sangue o gesto
Da multidão.
Esqueci a resposta.
Pintei com sangue,
E nada, nada se ouviu.
Nem sequer um não.
Será assim tanta a liberdade
Do amor para que fuja sem se crer?
Fico no escuro.
Ele me silencia.
Fico no medo que ele me cria.
Fico na esperança que descuro.
Ou no desassossego.
Fujo.
Do que respiro.
Fujo do que enche os meus pulmões de suspiro.
Quero deixar de imaginar
As trevas, o frio.
Quero deixar de imaginar.
Deixar-me levar na tinta do que não crio.
E esperar que sejas tu, no nada.