terça-feira, 3 de janeiro de 2012

É ver as horas passar
Sem contar o tempo.
O tempo leva-o longe, o vento,
Achava querer-se amar.
Amar é longe no vento
E perto afogado no mar.

É ver as horas cair
De tempo contado,
Deixá-las querer-se matar.
É ver as horas cair,
É ver o tempo cair,
É vê-lo ir para longe com o vento
E lavá-lo afogado no mar.
Saberá o tempo do vento
Beijar o tempo do mar?
Tudo se resume a tempo:
Ao tempo que queremos ter,
Ao tempo que queremos dar.
Achando que o pensamento
Sozinho te irá lá levar,
Não é uma questão de tempo,
Mas sim de saber amar.

Já sou velha de tortura,
O que dói, sei, não vou torturar
Se sei bem que bem do tempo
Não há vida num momento,
Nem cardo para a agarrar.
E tirar vida do tempo
É fardo de suportar.
Não se vive de momento.
Acorda. Aprende a amar.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Tocar o sol nascente onde se toca o ocidente,
E ser inteiro?
Descer até ao mundo onde o mais certo é ser-se imundo,
E ser-se inteiro?
Como ver-se nesse castelo....
Porquê tocar o sol se nunca mais ele é nascente,
Porquê descer-se ao mundo onde não há mais ocidente,
E ser-se inteiro?

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Tenho raiva ao medo que me inspira
E transpiro essa raiva ao meu sufoco.
Sou cúmplice da treva que me mira
E vejo no terror o meu conforto.

São negras as nuvens com que sonho
E levam-me a voar no céu sem vento.
Que trevas serão essas, se me imponho
Ao sonho sem sabor e ao frio sem relento?

O perto não é perto nem é longe
O longe sem querer não me é devoto.
E fico perto sem querer nesta distância que me foge,
Desse longe onde me leva este céu morto.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Fui ver o Sol nascer no Ocidente
E se tanto me embala o que assim cresce,
Será no poente que me adormeço,
Na esperança de sonhar o que lhe deste.

De nada ficará querer o sono
Se a Lua de mim foge no seu tempo.
Foi no vão amor que ficou meu sonho,
Perdido à luz do Sol no meu relento.
E se eu visse na escuridão suprema
A luz com que o meu medo te acalma,
Seria vão o Sol em tarde amena,
Seria o corpo o meu espelho da alma
Onde se mexe o tempo sem ponteiros,
Onde se afasta o sol da estrada atenta,
Seriam vãos caminhos sem roteiros,
Seria a sua caminhada lenta,
Seria a negridão de claros freios
A remar o conforto que amamenta
O frio, a cor, o toque nos meus seios
Do tu que é teu e de mim se alimenta.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Gosto de ver o Sol deitar-se cedo
Depois da multidão.
Rezam histórias que a luz
É discípula do medo,
E o escuro, da solidão.

Gosto de ver o Sol deitar-se cedo
No escuro das luzes de rua.
Não se acendem por ter gente,
Não se acendem por estar nua,
Apagam-se no seu credo.

Gosto de ver o Sol deitar-se cedo
No horizonte do futuro que se apaga.
Não há luz nas ruas.
Reza-se o medo, reza-se o escuro.
No conforto do que piso, este me afaga.

domingo, 2 de outubro de 2011

Gosto de ver o sol deitar-se cedo...

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Há já horas que tento distinguir
O quente do frio dos teus braços,
Quando estás longe.
E da luz desta chuva,
Tudo me parece cinzento.

Não dormi, para sonhar.
Fica em mim essa ansiedade de querer saber-te mais,
Saber-te mais,
Sentir-te mais,
Sem ter que rimar.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Foi ao fim do dia
Que me sentei
Por baixo de uma árvore, à beira-mar.
Já o sol gemia,
E eu tanto que esperei,
Para o mar me vir buscar.
Já nada me quer, o mar.
Contorna os meus pés,
Foge o cheiro ao meu olfacto,
Para não me molhar.
E eu?
Eu continuo à espera,
Que o mar venha,
Para me afogar.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Fui hoje à janela
Porque me apeteceu sonhar, ao vê-la.
Sem nada mais me exigir,
Apagou-se a lua.
Quis-se fraca, para deixar o escuro
Para cada estrela
Que se apagou também, ao vê-la.

Fui hoje a janela,
E dela deixei-me cair.
Foi leve o chão, ao sentir-me pesada
Quase quase tão leve
Que senti-lo fez-me rir...
E achar que me via dela,
Sonhar-me,
Fez-me partir.

Olhei para a janela.
De dentro sorria uma luz.
Pediu-me para entrar,
P'ra nela me aconchegar,
Achando que me seduz.
Mas não:
Deixei-me ficar fora dela,
Esperando-te lá chegar.
Chamei pelo teu nome,
Não vieste.
E assim deixei de te amar.

Olhei para a janela,
Tentando dela fugir.
Chamando-me a luz dela,
Tentei, tentei, tentei subir...
Mas não...