segunda-feira, 17 de outubro de 2011

E se eu visse na escuridão suprema
A luz com que o meu medo te acalma,
Seria vão o Sol em tarde amena,
Seria o corpo o meu espelho da alma
Onde se mexe o tempo sem ponteiros,
Onde se afasta o sol da estrada atenta,
Seriam vãos caminhos sem roteiros,
Seria a sua caminhada lenta,
Seria a negridão de claros freios
A remar o conforto que amamenta
O frio, a cor, o toque nos meus seios
Do tu que é teu e de mim se alimenta.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Gosto de ver o Sol deitar-se cedo
Depois da multidão.
Rezam histórias que a luz
É discípula do medo,
E o escuro, da solidão.

Gosto de ver o Sol deitar-se cedo
No escuro das luzes de rua.
Não se acendem por ter gente,
Não se acendem por estar nua,
Apagam-se no seu credo.

Gosto de ver o Sol deitar-se cedo
No horizonte do futuro que se apaga.
Não há luz nas ruas.
Reza-se o medo, reza-se o escuro.
No conforto do que piso, este me afaga.

domingo, 2 de outubro de 2011

Gosto de ver o sol deitar-se cedo...

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Há já horas que tento distinguir
O quente do frio dos teus braços,
Quando estás longe.
E da luz desta chuva,
Tudo me parece cinzento.

Não dormi, para sonhar.
Fica em mim essa ansiedade de querer saber-te mais,
Saber-te mais,
Sentir-te mais,
Sem ter que rimar.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Foi ao fim do dia
Que me sentei
Por baixo de uma árvore, à beira-mar.
Já o sol gemia,
E eu tanto que esperei,
Para o mar me vir buscar.
Já nada me quer, o mar.
Contorna os meus pés,
Foge o cheiro ao meu olfacto,
Para não me molhar.
E eu?
Eu continuo à espera,
Que o mar venha,
Para me afogar.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Fui hoje à janela
Porque me apeteceu sonhar, ao vê-la.
Sem nada mais me exigir,
Apagou-se a lua.
Quis-se fraca, para deixar o escuro
Para cada estrela
Que se apagou também, ao vê-la.

Fui hoje a janela,
E dela deixei-me cair.
Foi leve o chão, ao sentir-me pesada
Quase quase tão leve
Que senti-lo fez-me rir...
E achar que me via dela,
Sonhar-me,
Fez-me partir.

Olhei para a janela.
De dentro sorria uma luz.
Pediu-me para entrar,
P'ra nela me aconchegar,
Achando que me seduz.
Mas não:
Deixei-me ficar fora dela,
Esperando-te lá chegar.
Chamei pelo teu nome,
Não vieste.
E assim deixei de te amar.

Olhei para a janela,
Tentando dela fugir.
Chamando-me a luz dela,
Tentei, tentei, tentei subir...
Mas não...

terça-feira, 5 de julho de 2011

É como a chuva a chegar,
Ver caír a mente..
E pouco se levantar
De um sono profundo.

E escrevê-la é como tocar piano,
Num órgão de capela em tom de mundo.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Piso o chão.
Piso o chão com a força com que fecho os olhos
Para sonhar.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sinto essa falta de escrever poemas ao mar,
De uma voz que me toca o pensamento.
Mais que palavras sentidas no vento,
Mais que gemidos queimados no ar.

domingo, 26 de junho de 2011

Lamento a noite.
Aquela que se sente no frio da pele,
Aquela que se sente...
E desabafos geométricos sobre as estrelas, lamento.
Aquelas que caem...
Que se desejam...
Naquilo que se sente.
Lamento a noite.