quarta-feira, 13 de julho de 2011

Foi ao fim do dia
Que me sentei
Por baixo de uma árvore, à beira-mar.
Já o sol gemia,
E eu tanto que esperei,
Para o mar me vir buscar.
Já nada me quer, o mar.
Contorna os meus pés,
Foge o cheiro ao meu olfacto,
Para não me molhar.
E eu?
Eu continuo à espera,
Que o mar venha,
Para me afogar.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Fui hoje à janela
Porque me apeteceu sonhar, ao vê-la.
Sem nada mais me exigir,
Apagou-se a lua.
Quis-se fraca, para deixar o escuro
Para cada estrela
Que se apagou também, ao vê-la.

Fui hoje a janela,
E dela deixei-me cair.
Foi leve o chão, ao sentir-me pesada
Quase quase tão leve
Que senti-lo fez-me rir...
E achar que me via dela,
Sonhar-me,
Fez-me partir.

Olhei para a janela.
De dentro sorria uma luz.
Pediu-me para entrar,
P'ra nela me aconchegar,
Achando que me seduz.
Mas não:
Deixei-me ficar fora dela,
Esperando-te lá chegar.
Chamei pelo teu nome,
Não vieste.
E assim deixei de te amar.

Olhei para a janela,
Tentando dela fugir.
Chamando-me a luz dela,
Tentei, tentei, tentei subir...
Mas não...

terça-feira, 5 de julho de 2011

É como a chuva a chegar,
Ver caír a mente..
E pouco se levantar
De um sono profundo.

E escrevê-la é como tocar piano,
Num órgão de capela em tom de mundo.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Piso o chão.
Piso o chão com a força com que fecho os olhos
Para sonhar.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sinto essa falta de escrever poemas ao mar,
De uma voz que me toca o pensamento.
Mais que palavras sentidas no vento,
Mais que gemidos queimados no ar.

domingo, 26 de junho de 2011

Lamento a noite.
Aquela que se sente no frio da pele,
Aquela que se sente...
E desabafos geométricos sobre as estrelas, lamento.
Aquelas que caem...
Que se desejam...
Naquilo que se sente.
Lamento a noite.

sábado, 25 de junho de 2011

Pergunta-me.
Não vou mais usar a palavra hoje
No início das frases.
Porque não é hoje,
Nem o amanhã é hoje,
Nem o hoje se toca,
Nem o hoje se vive.
Não é hoje.

Quero acordar e esquecer que o hoje foi, ou é... Não, não é.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Tenho um segredo
Na palma da minha mão
Sempre que te toco.

domingo, 12 de junho de 2011

Vou chamar o silêncio que se entende por estar só,
Respirar no seu relento..
Vou deitar-me nas rochas do chão que me foge
E mergulhar na água que me seca,
Porque não quero.

Vou chamar o fogo que se alastra por estar vento,
Respirar as suas cinzas...
Vou partir para ver o mundo parada contra 'horizonte
E ficar a ouvir o meu relógio,
Porque não quero.

E vou chamar, num grito mudo, essas memórias,
E vou contar sem me lembrar mais dessas histórias,
Escrever o mais bonito dos poemas,
E lê-lo como quem lê vãos teoremas...
E vou ficar deitada em sonhos nessas rochas,
Como se te esperasse mergulhada nessa água onde te alojas.
Vou deixar-me queimar pelo fogo, asfixiar,
Vou partir para não deixar o meu relógio parar,
Porque não quero.