segunda-feira, 30 de maio de 2011

Parece-me distante, o azul do céu.
Perde-se nas nuvens como das linhas
Onde o descrevo.
Voa bem longe, onde o mar é servo.

Parece-me distante.
Como se algum dia fosse perto o que se agarra.
Não é no calor do vento que se larga,
Não é sol.

Parece-me distante, nas luzes do deserto.
Como se o que me está longe fosse perto,
Mas distante...
Parece-me distante...

Parece-me distante este hábito constante
Que em mim prego.
Deixar-me levar na paz que me traz o desassossego,
Deixar-me ficar e ficar,
Permanecer nas loucuras que se alastram,
E guardar os pedaços que caem desta pele
Que parece distante.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Meticulosamente cai o mundo,
Espera-se sentado à janela,
De onde se vê.
Agita-se a bolha,
Formada na espuma da chuva,
E o mar que foi já não é.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

terça-feira, 10 de maio de 2011

Quis que ficasses sem palavras,
Lá no fundo,
Só para não ter que ouvir mais que o teu suspiro,
Quando me calas.
Já não vale a pena querer ficar
No medo do medo.
As metáforas já não me salvam,
E o que vem tarde, fica cedo.

Quis que deixasses de sentir
O que há no mundo,
Só para não ter que ouvir mais que o teu suspiro,
Quando me embalas.
Já não vale a pena querer amar
No medo do medo.
As palavras já não me calam,
E o que fica, em mim o vedo.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

E se viesses pousar na minha rocha,
Pássaro sem sol?
Levarias de tudo no vento contigo
Quando voasses.
E se fosses no céu sem estrelas
E no mar sem sal?
Perguntarias tu se um dia estiveste escondido
Na minha rocha?

E se viesses deixar as marcas dos teus pés na areia,
Para que as levasse o mar?
Saberias tu deixar-me saudosa
De as ler? De as contar?

Não fazes tu pequena ideia
Que a areia que levas
Colada nas asas,
Foi feita do mar,
E provém das trevas:
Lágrimas salgadas
Desfazem-me em tempo.
Promessas escaldadas
Por sol e por vento...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Hoje dormirei nua sobre o meu corpo
Ele não me dá alento.
Vou cair pesada, sobre a minha pele.
Hoje dormirei nua, encravada no meu peito.
Vou cair pesada sobre a cama,
Sonhar-me retida na lama,
Bem longe do meu leito.
Sentei-me na janela para escrever.
Tentei mover as estrelas que me ilustram com desdém,
Com elas cada letra se faria,
E esse céu as leria,
Como se nele fosse alguém.

Sentei-me na janela e fiz-me surda.
Não quis ouvir palavras, não quis falar.
Com elas cada angústia se faria,
E se as palavras fossem só em vão, até me ria.
Como se nelas fosse alguém.

Sentei-me na janela e respirei.
Não sei quem sou, quem fui ou quem serei,
Tentei mover as estrelas que me ilustram com desdém,
Com elas cada angústia se faria,
Como se nelas fosse alguém.

domingo, 3 de abril de 2011

Hoje acordei sem saber quem sou,
Despida de loucuras.
Nada do tempo que me atento me ficou,
E as palavras são impuras
De significado.

quinta-feira, 31 de março de 2011


Pedi um café e um copo de água
E do copo de água viu-se o mar.
Tirei foto para guardar
O sal que ficou da mágoa.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Já não me adianta gritar suspiros pelo escuro.
Não são palavras que me socorrem.
Não, nem o vento.
Já não adianta gritar gemidos rentes à minha pele,
Por mais que neles esteja o teu nome.

Vou-me deixar sofrida em quatro cantos.
Desse meu sofrimento que me afoga,
Vou quebrar-me de letras, vou quebrar-me de fonemas,
Foi no vento o que ele levou e não me afaga.

Já não me adianta gritar que quero, se o já tenho.
Ao mais que vem do tudo, que me amansa.
São cores que as nuvens tapam na esperança,
São coisas.

Não vou olhar para trás, que o tempo é pouco.
Amanhã não estarei no meu refúgio.
E no que o tempo trás, é vão e louco.

Carente de sentidos, cá me arrasto,
Sentindo o chão agreste que me sofre...
E assim, guardando o tempo no seu cofre,
Vou limpando de mim esse teu rasto.