quinta-feira, 31 de março de 2011


Pedi um café e um copo de água
E do copo de água viu-se o mar.
Tirei foto para guardar
O sal que ficou da mágoa.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Já não me adianta gritar suspiros pelo escuro.
Não são palavras que me socorrem.
Não, nem o vento.
Já não adianta gritar gemidos rentes à minha pele,
Por mais que neles esteja o teu nome.

Vou-me deixar sofrida em quatro cantos.
Desse meu sofrimento que me afoga,
Vou quebrar-me de letras, vou quebrar-me de fonemas,
Foi no vento o que ele levou e não me afaga.

Já não me adianta gritar que quero, se o já tenho.
Ao mais que vem do tudo, que me amansa.
São cores que as nuvens tapam na esperança,
São coisas.

Não vou olhar para trás, que o tempo é pouco.
Amanhã não estarei no meu refúgio.
E no que o tempo trás, é vão e louco.

Carente de sentidos, cá me arrasto,
Sentindo o chão agreste que me sofre...
E assim, guardando o tempo no seu cofre,
Vou limpando de mim esse teu rasto.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Hoje cheirei o Verão.
Soube-me a trevas.
Lambi o calor do gelo
E senti-me como me levas.

Hoje cheirei o Verão
E bati com força na areia.
Puxou-me, movediça, então.
E eu presa sou bela e sou feia.

Hoje cheirei o Verão
E deixei-me afundar no Inverno.
Não sei o que o tempo me passa,
Senti-me floresta, em dia de caça,
Queimei as palavras, perdi-me no Inferno.
Queimei os cabelos no que não é terno,
Fechei-me em janelas
A olhar para o nenhum,
Cheirei o Verão,
Fechei-me no Inverno.
Mais quente.

Hoje cheirei o Verão,
E deixei-me fundir-me.
Já sinto a Primavera...
Sou eu a iludir-me.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Olha-me outra vez...
Sou frágil esta manhã. Parte-me.
Olha-me outra vez
E diz-me o que vês.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Um dia quis ser na chuva
O que resta do teu olhar.
Deixei-me perder no tempo
Por não ter onde ficar...
Fiquei na chuva.

Vou chamar da terra o mar,
Deixar-me afundar na sua areia...
Perder-me por não ser gente,
Achar que não sei falar,
Ser corpo sem raiz, que se semeia.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Gosto do nevoeiro.
Invejo quem não escreve e se acompanha pela mente.
Nunca se desmente.
Gosto daquela casa, tem janelas.
Faço-me aquecer deambulando em suas telas.
Invejo a chuva,
Ela cai sem lhe doer.
O quanto sou invisível é ela quem me faz ver.
Faço-me demorar
Para evitar as suas gotas.
Contradizem o nevoeiro que me esconde.
Vou sóbria na poesia que é, enfim, quem me dá nome.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Dispo-me de sentidos
Para te ouvir falar.
Deixo-me seguir, caída dos teus braços,
Sabendo que fui eu a me atirar...

Dispo-me das rosas, do vento, de tudo,
Fui flor sem me deixar sentir.
Quis ser mais para ser tudo,
Ser nada pois nada é mudo,
Chegar e deixar-me fugir.

Malmequer quem me bem queira,
Terá, decerto, infortúnio.
Sou casa numa lareira,
Remos a arder,
Muito fumo.

Fui ver que a noite caía,
Deixei de me ver ali.
Diz-se que a noite está fria
E eu à espera de ti.

Dispo-me de sentidos
Para te ouvir tocar.
Sou nada.
Nada tenho mais,
Que os teus braços caídos,
À espera de me abraçar.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Perco-me em contradições
E levo-me onde o tempo não se conta.
As estrelas, hipotéticas noções
E o vento é o que, lento, nos afronta.

Sem medo a vida não é mais que o nada
E palavras corridas são vazias
Se me levasse o tempo a madrugada
Seria choro em lágrimas razias.

Inventar palavras para páginas limpas
O álcool que me imponho sem calor.
Passa-lhe o efeito, e (re)volta-me a dor
E fujo ao que desisto de mim...

Corro sem forças por (não) ser assim...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sei pouco da realidade.
Tudo o que o mundo é é o que faço dele.
Nada se conjuga
E os pensamentos não são senão distorções da realidade que fazemos do mundo.
Como te sentes?
Farto-me de pensar.