quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Olha-me outra vez...
Sou frágil esta manhã. Parte-me.
Olha-me outra vez
E diz-me o que vês.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Um dia quis ser na chuva
O que resta do teu olhar.
Deixei-me perder no tempo
Por não ter onde ficar...
Fiquei na chuva.

Vou chamar da terra o mar,
Deixar-me afundar na sua areia...
Perder-me por não ser gente,
Achar que não sei falar,
Ser corpo sem raiz, que se semeia.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Gosto do nevoeiro.
Invejo quem não escreve e se acompanha pela mente.
Nunca se desmente.
Gosto daquela casa, tem janelas.
Faço-me aquecer deambulando em suas telas.
Invejo a chuva,
Ela cai sem lhe doer.
O quanto sou invisível é ela quem me faz ver.
Faço-me demorar
Para evitar as suas gotas.
Contradizem o nevoeiro que me esconde.
Vou sóbria na poesia que é, enfim, quem me dá nome.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Dispo-me de sentidos
Para te ouvir falar.
Deixo-me seguir, caída dos teus braços,
Sabendo que fui eu a me atirar...

Dispo-me das rosas, do vento, de tudo,
Fui flor sem me deixar sentir.
Quis ser mais para ser tudo,
Ser nada pois nada é mudo,
Chegar e deixar-me fugir.

Malmequer quem me bem queira,
Terá, decerto, infortúnio.
Sou casa numa lareira,
Remos a arder,
Muito fumo.

Fui ver que a noite caía,
Deixei de me ver ali.
Diz-se que a noite está fria
E eu à espera de ti.

Dispo-me de sentidos
Para te ouvir tocar.
Sou nada.
Nada tenho mais,
Que os teus braços caídos,
À espera de me abraçar.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Perco-me em contradições
E levo-me onde o tempo não se conta.
As estrelas, hipotéticas noções
E o vento é o que, lento, nos afronta.

Sem medo a vida não é mais que o nada
E palavras corridas são vazias
Se me levasse o tempo a madrugada
Seria choro em lágrimas razias.

Inventar palavras para páginas limpas
O álcool que me imponho sem calor.
Passa-lhe o efeito, e (re)volta-me a dor
E fujo ao que desisto de mim...

Corro sem forças por (não) ser assim...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sei pouco da realidade.
Tudo o que o mundo é é o que faço dele.
Nada se conjuga
E os pensamentos não são senão distorções da realidade que fazemos do mundo.
Como te sentes?
Farto-me de pensar.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Qual o destino?
Para onde é que me levas?
O vento sopra sem sentido,
És tu vão nas tuas trevas?
Destino?
Qual é o destino?
Soa a música como vida
O meu sonho não tem tino,
Não tens tino?
Bate que bate a tortura
Que não sei que dela digo.
És tu vão nas tuas trevas?
És tu, nelas, meu abrigo?
Qual é o destino?
Não me cales...
Não te cales...
E as vozes que nos soam,
Semelhantes ao passado,
Acham-se aves que em nós voam,
Nos levam para outro lado.
A música não me pega,
Não tenho como a dançar,
E diz-me qual é o destino
Que em mim vais desenhar...
Dança comigo,
Se também não sabes...
Qual é o destino.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Estou a fugir à poesia,
Porque te quero ouvir tocar
Nesse piano.
Se é da arte que sou cúmplice,
E me dizes que sou eu no desengano.

Vou fugir sem ter retorno,
Porque o vento em que me torno,
Vai e não volta.
Mexe as ondas que se envolvem,
E me guiam pelo farol que o mar revolta.

domingo, 28 de novembro de 2010

Hoje vou fugir
Como se a rima não me amparasse.
Vou andar a pé,
Ver-me passar,
Olhar como se um rio passeasse.
Vou passar a ponte e vou-me ouvir,
Fechando os olhos sinto a estrada oculta.
A doçura do vento faz-me rir,
E aquece-me a que do fumo resulta.
Hoje vou fugir
Sem ter caminho em paralelo...
Vou escorregar nas estrelas
Que ainda não se vêem,
E ver-me cair...
Não quero deixar rasto
Se me vêem.
Não quero falar de ti.
Não quero resguardar-me nas palavras
Que em tempos, só por si, valiam tudo.
Não vou falar de ti, não vou falar de nada.
E vou escrever como se o tempo fosse mudo.