quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Farto-me de pensar.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Qual o destino?
Para onde é que me levas?
O vento sopra sem sentido,
És tu vão nas tuas trevas?
Destino?
Qual é o destino?
Soa a música como vida
O meu sonho não tem tino,
Não tens tino?
Bate que bate a tortura
Que não sei que dela digo.
És tu vão nas tuas trevas?
És tu, nelas, meu abrigo?
Qual é o destino?
Não me cales...
Não te cales...
E as vozes que nos soam,
Semelhantes ao passado,
Acham-se aves que em nós voam,
Nos levam para outro lado.
A música não me pega,
Não tenho como a dançar,
E diz-me qual é o destino
Que em mim vais desenhar...
Dança comigo,
Se também não sabes...
Qual é o destino.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Estou a fugir à poesia,
Porque te quero ouvir tocar
Nesse piano.
Se é da arte que sou cúmplice,
E me dizes que sou eu no desengano.

Vou fugir sem ter retorno,
Porque o vento em que me torno,
Vai e não volta.
Mexe as ondas que se envolvem,
E me guiam pelo farol que o mar revolta.

domingo, 28 de novembro de 2010

Hoje vou fugir
Como se a rima não me amparasse.
Vou andar a pé,
Ver-me passar,
Olhar como se um rio passeasse.
Vou passar a ponte e vou-me ouvir,
Fechando os olhos sinto a estrada oculta.
A doçura do vento faz-me rir,
E aquece-me a que do fumo resulta.
Hoje vou fugir
Sem ter caminho em paralelo...
Vou escorregar nas estrelas
Que ainda não se vêem,
E ver-me cair...
Não quero deixar rasto
Se me vêem.
Não quero falar de ti.
Não quero resguardar-me nas palavras
Que em tempos, só por si, valiam tudo.
Não vou falar de ti, não vou falar de nada.
E vou escrever como se o tempo fosse mudo.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O sonho fica longe e não me volta,
Agarra no cascalho que ladrilha,
Um dia usei o sonho por estar morta,
Achando que é no sonho o que fervilha.

Quis ser fogo no vento que arrefece
Levar calor ardente ao que definha,
Achar que a cor é negra numa linha,
Que segue e em todas as cores decresce.

Fui, vaga, ao horizonte do horizonte,
Para encontrar o fim do que se acaba,
Fui longe sem sair deste meu monte,
Que por loucura insípida desaba...

Quem sou para amarrar os meus sentidos?
Ou pra querer sentir intensamente?
Sou nada no que se diz e se mente...
Sou vã e madrugada delinquente,
Nas coisas das palavras sou quem mente,
Por dizer-me ser omnipotente,
Por querer mais que o escrito que foi lido.

sábado, 23 de outubro de 2010

És paz em chama acesa que consome.
És quente em mim, na pele arrepiada...
És frio numa noite de Outono,
Inverno em solarenga madrugada.

És mítico poema num olhar,
Que por não ser palavras, julga tudo.
És eterna conversa que se cala,
Sem desejo que, nisso, sejas mudo.

Não queria escrever estas palavras,
Pois se és, és mais que mera descrição.
Feliz posso eu ser, que me prometes,
Escrever-me nos dedos da minha mão...

Sentiste-me o destino, se ele existe.
E adubaste a flor que em mim plantaste...
Mais tarde nada vou ser, que o meu destino,
Pensando que em mim o desenhaste...

domingo, 17 de outubro de 2010

Pede-me um segundo.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Vou fugir ao que é terreno,
Mas vou dançar.
Pôr o vento numa caixa,
Para deixar de voar.

Vou cair lá no horizonte,
Pois foi lá que me perdi.
Enterrar o uivo no monte,
Achando que o lati.

Se for chuva, vou escorrendo,
Até que me vou bebendo,
As árvores saciar,
Até me saber cantar.

Na água de um rio me ponho,
Na lama das margens me afundo
E numa poça me sonho,
Achando nas nuvens um mundo.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Saíste para a rua,
E pisaste o ladrilho.
Achaste que por seres teu
Que a rua era, também, tua,
E seguiste no seu trilho.

Fizeste questão de pisar
Cada pedrinha no chão.
Chutá-la com tanta força
Como a do teu coração.

Queria escrever os teus passos,
Ao som do cão que ladrou.
Fugir sem contar com a lua,
Esquecer se são eles devassos,
Correr como o céu andou.

Ia fazer companhia,
Ao relento que sorria...
Surgir como se fosse sonho
Ou uma mera fantasia.
Acordar, e ficar a ouvir...
Os teus passos no ladrilho.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Só me apetece dormir...
E tenho dormido tanto que nem me lembro de sonhar coisas que me inspirem.