quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O sonho fica longe e não me volta,
Agarra no cascalho que ladrilha,
Um dia usei o sonho por estar morta,
Achando que é no sonho o que fervilha.

Quis ser fogo no vento que arrefece
Levar calor ardente ao que definha,
Achar que a cor é negra numa linha,
Que segue e em todas as cores decresce.

Fui, vaga, ao horizonte do horizonte,
Para encontrar o fim do que se acaba,
Fui longe sem sair deste meu monte,
Que por loucura insípida desaba...

Quem sou para amarrar os meus sentidos?
Ou pra querer sentir intensamente?
Sou nada no que se diz e se mente...
Sou vã e madrugada delinquente,
Nas coisas das palavras sou quem mente,
Por dizer-me ser omnipotente,
Por querer mais que o escrito que foi lido.

sábado, 23 de outubro de 2010

És paz em chama acesa que consome.
És quente em mim, na pele arrepiada...
És frio numa noite de Outono,
Inverno em solarenga madrugada.

És mítico poema num olhar,
Que por não ser palavras, julga tudo.
És eterna conversa que se cala,
Sem desejo que, nisso, sejas mudo.

Não queria escrever estas palavras,
Pois se és, és mais que mera descrição.
Feliz posso eu ser, que me prometes,
Escrever-me nos dedos da minha mão...

Sentiste-me o destino, se ele existe.
E adubaste a flor que em mim plantaste...
Mais tarde nada vou ser, que o meu destino,
Pensando que em mim o desenhaste...

domingo, 17 de outubro de 2010

Pede-me um segundo.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Vou fugir ao que é terreno,
Mas vou dançar.
Pôr o vento numa caixa,
Para deixar de voar.

Vou cair lá no horizonte,
Pois foi lá que me perdi.
Enterrar o uivo no monte,
Achando que o lati.

Se for chuva, vou escorrendo,
Até que me vou bebendo,
As árvores saciar,
Até me saber cantar.

Na água de um rio me ponho,
Na lama das margens me afundo
E numa poça me sonho,
Achando nas nuvens um mundo.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Saíste para a rua,
E pisaste o ladrilho.
Achaste que por seres teu
Que a rua era, também, tua,
E seguiste no seu trilho.

Fizeste questão de pisar
Cada pedrinha no chão.
Chutá-la com tanta força
Como a do teu coração.

Queria escrever os teus passos,
Ao som do cão que ladrou.
Fugir sem contar com a lua,
Esquecer se são eles devassos,
Correr como o céu andou.

Ia fazer companhia,
Ao relento que sorria...
Surgir como se fosse sonho
Ou uma mera fantasia.
Acordar, e ficar a ouvir...
Os teus passos no ladrilho.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Só me apetece dormir...
E tenho dormido tanto que nem me lembro de sonhar coisas que me inspirem.

sábado, 18 de setembro de 2010

Nunca te pedi um poema
Poemas doem demais....

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Do lado de fora, bateram à minha janela...
E eu abri. Deixei entrar.
Chamou-me o vento por ela,
Sozinha deixou-me a voar.
Cá fora só ouço um gato,
Que mia, com desespero.
E as estrelas, que brilhavam
Estão hoje tapadas com nuvens,
Como se tivessem medo.

Do lado de dentro, bateram à minha porta...
Não quis que pudessem sair,
Arrombaram-me as certezas,
Quebraram as 4 paredes,
Deixaram entrar tristezas...
Roubaram loucuras.
Lá dentro, ouço o relento
Que desejava lá fora.
Agora já não há nada,
Vou dormir, pois está na hora.
Como foi?
Como foi que o céu azul foi encarnado,
E vermelho se despiu fã do seu fado,
Que cantado foi martírio no que sou...
Como foi que se passou?

Como é?
Que agora o tempo tem sentido,
E sentido é mais ainda que medido,
Seus segundos são passados e corrói...
Como é que sou quem foi?

E será?
Será que o vento cobre o meu tormento,
Se o levar leve, recolhe o alento,
Por baixo do Outono que virá?
Será que um outro beijo me rejeita,
Sabendo que sou fel à tua ceita,
Aquele que de nome não ficará?
Mostrar-me-ás tu, de longe, o caminho,
Desenharás um trevo no meu pé,
Serás tu a sonhar-me no relento,
Porque o que seria já nunca é?

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Oferece-me uma rosa que roubares do teu jardim.
Deixa-me dar-lhe o perfume que um dia senti em ti.
Se do medo formos escravos, decerto queres que a devolva,
Deixa-me seca-la em sonhos, p'ra que eterna se dissolva...