gostava de ser "poetizada"
de sentir que para alguém sou como um poema
gostava de me sentir pensada sem palavras
e amada sem versos
gostava de ser poema
e viver sem me rimar
ser declamada sem ar e sem descanso nas amarras
nem que fosse só um minuto
ser escrita sem saber
nos sentimentos de alguém,
ser tudo o que ele pode ter...
e não morrer
por ser poema
e ser poema sem ter tema
e ser amada sem ter ar,
vivida sem respirar
e no fim ficam palavras,
mas palavras sem escrever serão tudo o que as quiser....
gostava de ser poema,
e ser escrita sem ter lema ou sem razão
desenhada sem lápis por uma mão
e lida como quem ama...
e lida com coração
(improviso)
sábado, 9 de janeiro de 2010
Que neve.
Que neve, que no gelo é a fartura.
Que o tudo do que há no medo, o gelo fura.
E penetra.
Que neve.
Ou que o gelo da ingraça me entretante.
Se é tudo o que me querem,
Então, neve.
Não encontro bateria no que dão,
Não me deixam encontrar-me para a ter.
E de toda a alegria que há no chão
Não me importo de rastejar p'ra viver.
Mas então, que neve.
E molhada das loucuras eu me seco.
Porque o tempo já não há, nele não me perco.
Se gelada depois fico,
Quero gelo que derreta,
Não aquele que me congela num castigo,
Não aquele que me persegue sem razão,
Mas aquele que alegria me prometa.
Que neve!
Que neve, que no gelo é a fartura.
Que o tudo do que há no medo, o gelo fura.
E penetra.
Que neve.
Ou que o gelo da ingraça me entretante.
Se é tudo o que me querem,
Então, neve.
Não encontro bateria no que dão,
Não me deixam encontrar-me para a ter.
E de toda a alegria que há no chão
Não me importo de rastejar p'ra viver.
Mas então, que neve.
E molhada das loucuras eu me seco.
Porque o tempo já não há, nele não me perco.
Se gelada depois fico,
Quero gelo que derreta,
Não aquele que me congela num castigo,
Não aquele que me persegue sem razão,
Mas aquele que alegria me prometa.
Que neve!
sábado, 19 de dezembro de 2009
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Um dia escrevi um poema
Com tinta nos dedos das mãos.
Pensei que seria eterno...
Mas foi escrito ao correr das águas,
Com elas levaram mágoas,
E as não-palavras, então.
E vejo, não é eterno
Esse poema que veio do Inverno,
E que secou no meu Verão.
E as águas que correm das mágoas
Perderam, do sal, quaisquer vagas
Da tinta que roubei do chão.
Com tinta nos dedos das mãos.
Pensei que seria eterno...
Mas foi escrito ao correr das águas,
Com elas levaram mágoas,
E as não-palavras, então.
E vejo, não é eterno
Esse poema que veio do Inverno,
E que secou no meu Verão.
E as águas que correm das mágoas
Perderam, do sal, quaisquer vagas
Da tinta que roubei do chão.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Ai!
Como me vejo em mim escrever
Palavras que não sinto ao me querer.
Como me sinto em mim pensar,
O que não penso desejar!
Ai!
Se apenas vento me falasse
Como lhe responderia
Se em mim todo ele se encarnasse
Como nas árvores, um dia...
Ai!
Como me vejo em mim sentir
Tudo o que me sinto fugir..
Ai, se eu pudesse só cantar,
Para de mim me espantar!
Ai!
Diz-me tu, que és som no nada,
Porque me impões madrugada,
Se uma manhã te pedi ter,
Para tentar me perder!
Ai!
E não há simples palavra
Para me tirar do nada,
Que com tudo se preenche,
Lenta, e lentamente se enche...
E me faz sentir cansada......
Como me vejo em mim escrever
Palavras que não sinto ao me querer.
Como me sinto em mim pensar,
O que não penso desejar!
Ai!
Se apenas vento me falasse
Como lhe responderia
Se em mim todo ele se encarnasse
Como nas árvores, um dia...
Ai!
Como me vejo em mim sentir
Tudo o que me sinto fugir..
Ai, se eu pudesse só cantar,
Para de mim me espantar!
Ai!
Diz-me tu, que és som no nada,
Porque me impões madrugada,
Se uma manhã te pedi ter,
Para tentar me perder!
Ai!
E não há simples palavra
Para me tirar do nada,
Que com tudo se preenche,
Lenta, e lentamente se enche...
E me faz sentir cansada......
sábado, 5 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
sábado, 28 de novembro de 2009
As últimas folhas já caíram.
Não posso escrever-te mais.
São mais que as folhas das árvores,
Estas que me dão sinais.
E no fim, na inconsciência,
Dói-me tanto, tanto mais...
Essas palavras, não mais.
É o fim da primavera
Que resguardo num sorriso.
E ao dá-lo, querer espalhá-lo,
Só o sinto mais submisso.
É o fim, na inconsciência,
Da ciência do sorriso
Doutras palavras, não mais.
Pois no frio do relento,
Que desejo ao som do vento,
És perigo de morrer,
És o ter-te e o não te ter,
És perder-te no entretanto,
E encontrar-te no meio
Do não te ver.
E é no frio desse vento
Que só ouço no relento
Que te queria em mim perder...
No lugar onde o entretanto,
Esse que agora dói tanto,
Seria só para te ter...
Não posso escrever-te mais.
São mais que as folhas das árvores,
Estas que me dão sinais.
E no fim, na inconsciência,
Dói-me tanto, tanto mais...
Essas palavras, não mais.
É o fim da primavera
Que resguardo num sorriso.
E ao dá-lo, querer espalhá-lo,
Só o sinto mais submisso.
É o fim, na inconsciência,
Da ciência do sorriso
Doutras palavras, não mais.
Pois no frio do relento,
Que desejo ao som do vento,
És perigo de morrer,
És o ter-te e o não te ter,
És perder-te no entretanto,
E encontrar-te no meio
Do não te ver.
E é no frio desse vento
Que só ouço no relento
Que te queria em mim perder...
No lugar onde o entretanto,
Esse que agora dói tanto,
Seria só para te ter...
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