terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Um dia escrevi um poema
Com tinta nos dedos das mãos.
Pensei que seria eterno...
Mas foi escrito ao correr das águas,
Com elas levaram mágoas,
E as não-palavras, então.
E vejo, não é eterno
Esse poema que veio do Inverno,
E que secou no meu Verão.
E as águas que correm das mágoas
Perderam, do sal, quaisquer vagas
Da tinta que roubei do chão.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ai!
Como me vejo em mim escrever
Palavras que não sinto ao me querer.
Como me sinto em mim pensar,
O que não penso desejar!
Ai!
Se apenas vento me falasse
Como lhe responderia
Se em mim todo ele se encarnasse
Como nas árvores, um dia...
Ai!
Como me vejo em mim sentir
Tudo o que me sinto fugir..
Ai, se eu pudesse só cantar,
Para de mim me espantar!
Ai!
Diz-me tu, que és som no nada,
Porque me impões madrugada,
Se uma manhã te pedi ter,
Para tentar me perder!
Ai!
E não há simples palavra
Para me tirar do nada,
Que com tudo se preenche,
Lenta, e lentamente se enche...
E me faz sentir cansada......

sábado, 5 de dezembro de 2009

Desassossego de um corpo são em mente sã desactivada, por querer mostrar que sim, quando o não não diz mais nada...
Sem poder usar palavras fica a alma insossegada, quando o corpo já não diz o que é preciso.Apaixonada.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

sábado, 28 de novembro de 2009

As últimas folhas já caíram.
Não posso escrever-te mais.
São mais que as folhas das árvores,
Estas que me dão sinais.
E no fim, na inconsciência,
Dói-me tanto, tanto mais...
Essas palavras, não mais.

É o fim da primavera
Que resguardo num sorriso.
E ao dá-lo, querer espalhá-lo,
Só o sinto mais submisso.
É o fim, na inconsciência,
Da ciência do sorriso
Doutras palavras, não mais.

Pois no frio do relento,
Que desejo ao som do vento,
És perigo de morrer,
És o ter-te e o não te ter,
És perder-te no entretanto,
E encontrar-te no meio
Do não te ver.
E é no frio desse vento
Que só ouço no relento
Que te queria em mim perder...
No lugar onde o entretanto,
Esse que agora dói tanto,
Seria só para te ter...

domingo, 8 de novembro de 2009

Já não sei, como outra vez,
O que é que me pede o frio:
Que relembre o que me fez,
Que procure o meu vazio?
Mas não sabe o que em mim vês,
Porque insiste em descobri-lo?
Sei que já não sei escrever,
Porque sentir-te em meu ter,
É mais lindo que o dizer....

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Não me lembro de mim.
E à volta do que sinto que me resta sinto dor.
Não me lembro de mim no que procuro em minha mente, com fulgor...
E desmaio, de sofreguidão de mim.
Não me lembro de mim,
Se aquilo que em mim fui é ser cinzenta,
Já não sei o que em mim tive ou o que me tenta.
Já não lembro o que em mim fui.

Não me lembro de mim em ti,
Nem me lembro se algo há em mim que te segue.
Nem na pele, nem tal nos olhos que me cegue,
Não me lembro se tal réstia há de mim...

E sem querer vejo-me a implorar no Outono
Pelo Verão que me manteve em pleno sono,
Pelo sono que me fez demais sonhar...

Mas por querer sei que me tenho neste Inverno,
E sem querer és frio eterno no Inferno,
Que insiste em fazer disso eu me lembrar...

domingo, 11 de outubro de 2009

Abaixo a ditadura!
Abaixo o que é mais podre da Loucura!
Abaixo o sentimento sem razão!
Abaixo o que é razão sem emoção!
Abaixo!

Abaixo,
Que no sonho está mentira!
Que no carrossel do sonho o amor não gira!
Abaixo o que não é imperfeição!
Lutemos pelo mundo da razão!

Abaixo o que nos prende sem pagar,
Tudo aquilo que emoldura o meu pensar!
Abaixo o que não dá serenidade,
Lutemos pela nossa liberdade!!!

sábado, 10 de outubro de 2009

Não existo em mim.
De tudo o que me estraga já não sei o que me encanta, e já não sou.
Nada.
Nada existe em mim.
Nem sequer palavras, às quais eu dê um fim...