domingo, 8 de novembro de 2009

Já não sei, como outra vez,
O que é que me pede o frio:
Que relembre o que me fez,
Que procure o meu vazio?
Mas não sabe o que em mim vês,
Porque insiste em descobri-lo?
Sei que já não sei escrever,
Porque sentir-te em meu ter,
É mais lindo que o dizer....

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Não me lembro de mim.
E à volta do que sinto que me resta sinto dor.
Não me lembro de mim no que procuro em minha mente, com fulgor...
E desmaio, de sofreguidão de mim.
Não me lembro de mim,
Se aquilo que em mim fui é ser cinzenta,
Já não sei o que em mim tive ou o que me tenta.
Já não lembro o que em mim fui.

Não me lembro de mim em ti,
Nem me lembro se algo há em mim que te segue.
Nem na pele, nem tal nos olhos que me cegue,
Não me lembro se tal réstia há de mim...

E sem querer vejo-me a implorar no Outono
Pelo Verão que me manteve em pleno sono,
Pelo sono que me fez demais sonhar...

Mas por querer sei que me tenho neste Inverno,
E sem querer és frio eterno no Inferno,
Que insiste em fazer disso eu me lembrar...

domingo, 11 de outubro de 2009

Abaixo a ditadura!
Abaixo o que é mais podre da Loucura!
Abaixo o sentimento sem razão!
Abaixo o que é razão sem emoção!
Abaixo!

Abaixo,
Que no sonho está mentira!
Que no carrossel do sonho o amor não gira!
Abaixo o que não é imperfeição!
Lutemos pelo mundo da razão!

Abaixo o que nos prende sem pagar,
Tudo aquilo que emoldura o meu pensar!
Abaixo o que não dá serenidade,
Lutemos pela nossa liberdade!!!

sábado, 10 de outubro de 2009

Não existo em mim.
De tudo o que me estraga já não sei o que me encanta, e já não sou.
Nada.
Nada existe em mim.
Nem sequer palavras, às quais eu dê um fim...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009




Dançar...
Como no céu as folhas dançam
E a sua sombra pela relva,
Mas em ti.
Perder-me em euforia
Como o azul que o céu me cria
E ser feliz...

Dançar...
Aquela música cinzenta
Que, de cor, só nos contenta,
Que, ao amar, nada nos tem...
E sentir,
Sentir tudo o que se sente
E, sem querer, nada me mente,
Vou fugir...

Dançar...
Aquela pobre melodia,
Por ser rica é que se cria,
E faz mover...
Como as folhas, lá nas estrelas,
Céu alcançam, só por vê-las,
Ao crescer...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009




Estou tentada a me encostar de novo ao céu...

terça-feira, 29 de setembro de 2009




O Outono sabe a Primavera
Quando não mo roubas, com palavras.
E sentir que escrevo sem sentido
No sentido que me sigo em ter-te amigo,
Não tem cor, já me está gasta,
Em alvoradas.

Responder ao que é ambíguo: o teu desejo,
É sentir o medo do despejo,
É perder quando me dizes ser-te amada.
E se escrevo, no final, palavras soltas,
Não são mais que aquelas que em mim beijo,
E que não são, quando posso, em ti faladas.

É na confusão das letras que me inspiro,
Por saber que não é nelas que respiro,
Mas saber que tu me sentes em palavras,
É tirar a este Outono a Primavera,
É fazer nascer em mim tamanha fera,
É saber que à minha espera cova cavas.

Não sou mais que poetisa de mim mesma,
Por escrever o que me entendo sem ter cisma,
Ou esperar, de ti, ter mais do que me falas.
Mas o tempo são estações que se misturam,
É o Verão na Primavera do Outono
Que no Inverno das palavras que me furam,
Acumula sentimentos que me embalam...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Vou deixar de beber vinho e comer uvas,
Vou deixar de sentir tudo o que se sente,
Vou deixar de sair cedo para as estrelas,
E fazer do meu nascente, o ocidente.

Vou deixar de ouvir dizeres-me que me amas,
Para deixar de ter sede em tal fartura.
Vou esquecer-me do sabor que em mim deixaste,
Do salgado do suor que em mim perdura...

Não, vou dizer que não és mais que uma palavra,
Mesmo que palavra n'haja pra dizer-te,
Prefiro ter dor em ter menos que nada,
Do que estar sempre com medo de temer-te.

E assim, eu me despeço, em tom de calma,
Sabendo que em mim a calma não existe,
E por mais que me descanse, não há alma
Em mim que diga "não persistes"...

domingo, 20 de setembro de 2009

Desassossego,
Desinvade a minha alma de tortura.
Vai!
Encontra noutro corpo a tua cura,
No meu não.
E se tiver que dormir no meu chão,
Já não me importa,
Pois aquele lugar onde abres a porta,
Não tem mão.

Desassossego,
Vai correr por prados e verduras,
Que não chega esse meu chão que tu furas,
Com pressão.
Vai lavrar terras, tu, se te quieta.
Não me imponhas tu tão firme seta
Em coração.

Desassossego,
Deixa-me dormir se me contenta
O estar no chão.
Deixa-me fingir que não sou eu
E ser-me, então.
Perder-me tão longe dos teus braços,
Tão longe do teu corpo,
Tão longe dos teus lábios,
Tão longe do que é morto,
Não é são.

Desassossego,
Deixa-me banhar-me nua em tuas águas
Sabendo que, em ti, só verei mágoas,
Mas não me deixes ir, sozinha, em vão...
Se em ti alguma vez eu vi sossego,
Perdoa-me, agora, em ti, só há medo,
Liberta-me tu do desassossego,
Diz-lhe não.