segunda-feira, 13 de julho de 2009

"é um bocado triste
xegar akele espaço kuase caustico
em ke nao consegues ver nada
olhar pa nada de outra forma
senao da forma caustica
abrasiva
bah
nem te sei explicar"


(por angelo)






"O vento gela-me os braços que tapei com a sombra das árvores...
Não sei porque te espero p'ra aquecer...
Troquei as palavras por desenhos,
E receio nos desenhos não te ver...

É de dia, e não sou lua,
Embora nela encontre inspiração...
A minha inspiração é tua,
Por favor, não a atires p'ra um caixão..."

sábado, 11 de julho de 2009

Hoje marquei encontro com as estrelas
Para me iludir,
Não sei se é mentira vê-las,
Ou o que me fazem sentir.
Foi por ter em mim palavras
Que delas me quis livrar,
Mas se depender das estrelas
Para poder brilhar,
Requisitarei tua companhia,
E quem sabe, o teu rimar,
Para tentar as estrelas
A ainda mais cintilar…
Sensibilidade é o que rouba às palavras poesia.
Sentir o que não se escreve e repensar o que se cria.
Crio-te em mim, como um sonho, num arrepiar de loucura que me tira o sono, que me rouba a ternura de o escrever.
E o que sinto não é senão mais que o sonho, mas o que tenho é muito menos que o que penso ou imagino. Porquê? Porque não?
Toca-me, se for isso a poesia, e se fores assim poeta como escreves, servir-me-ás. Eu que sou sacerdotisa, preciso da loucura para rezar, do teu calor para me ocultar.
Tremo, porque em mim não encontro mais respostas, e apenas no pensamento mágico me conforto. Não sei o que és, mas porque me ripostas? Se sei que não te voou ter, sabendo que no fundo te tenho, em mim não há mais palavras, em mim não há.... Senão dor. Dor que é provocada por achar-te com amor suficiente para me dar. E no fim, acordo sem nada, sem calor, sem ternura, sem loucura... Com tremor..
Penso-te, mas no fim, não há mais nada senão o pensamento.
Não quero nem vou depender de ti, pelo que me comporto como se de nada valessem os meus pensamentos. Fico-me.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Deixei de ser "poeta"
Se algum dia o fui
As palavras já não me servem
Já não vencem batalhas,
Já não consertam tristezas,
Já não resguardam rancor,
Já não conseguem proezas,
Já não transmitem amor...

Deixei de ser concreta,
Para quem me sabe ler...
Se algum dia fui "poeta",
Decerto deixei de o ser...

Não anseio por palavras,
Deixei de ser palavras,
Deixei de me vencer
E já não tenho nada,
Senão as poucas palavras
Que outro poeta me der...
Deixei de ser "poeta".

sábado, 4 de julho de 2009

Podia ter mais palavras para gastar,
Podia reciclá-las, perdendo-as no teu olhar,
Mas as palavras já são gastas por te amar... As palavras...
Perdi as minhas rimas quando tas entreguei,
E ainda não sei se sou eu a invocá-las.
Elas saem-me dos dedos, já me roubaram a alma,
Já me fizeram perder tanto tempo como calma,
Já me perderam como se, más tutoras, governassem
Aquilo que eu chamo de ternura que há em mim...
Em mim já não há essa ternura que dizem que sim,
As palavras...
Soube-as como mentiras, como meros pensamentos,
Transcritos são palavras, e as palavras são assim...
Atordoamentos...
Invenções que são inúteis,
Pedantes por natureza,
São com certeza mais fúteis,
Mais fúteis que a própria beleza,
E as rimas, outras tais,
Que ainda roubaram mais que o que pedi,
E o que tinha não foi mais que o que eu guardei de ti: nada.
As palavras são compressas,
Que uso para acolher as minhas pressas de sentir...
E o quanto eu me queria vir em artifícios...
As palavras não são cores,
As palavras não são dores,
Mas também vícios, e meros vícios...
E quanto elas me doem,
Por se saberem injecções em veias vagas...
Não espero que tu mas tragas...
Não, eu sei que tu não as estragas...
Delas tiras mais sabor, delas sentes mais odor, delas tens a temperatura
Que precisas da loucura,
Em palavras tu te vens,
Em palavras tu te tens,
E por mais que eu me encante,
Não é branco o elefante
Das palavras, quando as escreves...
Tu, sim, tu não as tremes.
Tens certezas infundadas,
Mas arranjas fundamento para as palavras...
Mais do que eu, és tu e o céu:
A beleza inconfundível,
O desejo intransmissível,
O carinho que é só teu,
A ternura que não deu,
Me foi roubada,
Por palavras.....
As palavras!
Não sou eu,
E ao tentar sê-lo, disperso-me...
Perco-me entre palavras que distinguem personagens no meu ser...
E quem sou eu? Não sei.
Procuro-me entre o que escrevo, e nem nas letras mais recentes me encontro.
Não quero depender de uma presença, mas sei que apenas "tu" me ajudarás...
Apenas tu, se o desejares...
Não és tu,
E ao tentar que o sejas, eu me perco...
Disperso-me entre textos que suscitam o meu desejo do teu ser...
E quem és? Não sei...
Encontro-te entre o que escreves, mas nas letras mais recentes tu te perdes...
Não dependas do meu sorriso para a tua poesia, sei que o teu é única poesia...
Apenas o teu, se (eu) o desejar...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Cheira a flores...
Aproximo-me da sua frescura,
Elevo-me à sua altura para voar...
Com as asas na mão, tento-as alcançar
Por um momento,
Em que tanto me tento em as roubar,
E ao seu perfume,
Mas roubo-as em pensamento...

domingo, 21 de junho de 2009

Estou a atrofiar. É este o meu estado neste momento. A próxima semana vai ser para mim como a pior semana de todo este ano lectivo, a menos que as coisas corram bem. A minha mente pede-me descanso, carinho, ternura, auto-estima, passeio, sei lá... Mas o meu corpo não lhe pode dar, ou vice-versa... Não sei como pegar mais no estudo... Sinto-me em areia movediça... E chamo por ti para me agarrares... Mas sei que não vens. Já esperei várias vezes e não vieste... Preciso de........

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Neste momento estou sentada na minha cama, como se quisesse fugir às nuvens e à chuva que abafam o tempo lá fora... Antes de chover, estava um calor abrasador, pelo que a chuva veio amansar e arrefecer o tempo quente... Soube-me bem receber aquelas gotas de chuva na minha pele, como se fossem beijos. Foi inspirador, embora nada se movesse a minha volta enquanto "os" recebia. Esta cidade é fantasma, e sem querer, talvez, situo-me no espaço e no tempo a pensar em ti, a depender de ti como inspiração para devolver esses beijos que a chuva me entrega, pensando eu que talvez sejas tu a envia-los. Mas não quero pensar assim, nem fazer-te pensar, já que é apenas a chuva a tocar-me sem um sorriso ou olhar, transparente, lúcida e fresca...
Nada se move, senão os pássaros como manchas negras no céu que esperam ansiosamente pela trovoada, como eu espero por ti... Sei que não vens, pelo menos agora, pelo que me tento a esperar, tentando não derramar o meu sangue na esperança de te ter... Se assim não for, sinto-me. certa, a morrer...
Não me recordo de ti nos dias de chuva... Talvez te tenha associado à certeza do calor do sol por seres quente como o meu corpo quando te vê... Um dia senti-te quase tão perto que nem a chuva, hoje, nos meus pés, no meu peito, ou nos meus braços... A chuva... Porque o mais perto que estiveste de mim, foi o coração...

Vou parar de sonhar e abrir os olhos para acordar... Como disse, estás longe... Como disseste, não podemos atirar-nos de cabeça a situações inconcretizáveis... Deixas-me continuar?