sábado, 4 de julho de 2009

Podia ter mais palavras para gastar,
Podia reciclá-las, perdendo-as no teu olhar,
Mas as palavras já são gastas por te amar... As palavras...
Perdi as minhas rimas quando tas entreguei,
E ainda não sei se sou eu a invocá-las.
Elas saem-me dos dedos, já me roubaram a alma,
Já me fizeram perder tanto tempo como calma,
Já me perderam como se, más tutoras, governassem
Aquilo que eu chamo de ternura que há em mim...
Em mim já não há essa ternura que dizem que sim,
As palavras...
Soube-as como mentiras, como meros pensamentos,
Transcritos são palavras, e as palavras são assim...
Atordoamentos...
Invenções que são inúteis,
Pedantes por natureza,
São com certeza mais fúteis,
Mais fúteis que a própria beleza,
E as rimas, outras tais,
Que ainda roubaram mais que o que pedi,
E o que tinha não foi mais que o que eu guardei de ti: nada.
As palavras são compressas,
Que uso para acolher as minhas pressas de sentir...
E o quanto eu me queria vir em artifícios...
As palavras não são cores,
As palavras não são dores,
Mas também vícios, e meros vícios...
E quanto elas me doem,
Por se saberem injecções em veias vagas...
Não espero que tu mas tragas...
Não, eu sei que tu não as estragas...
Delas tiras mais sabor, delas sentes mais odor, delas tens a temperatura
Que precisas da loucura,
Em palavras tu te vens,
Em palavras tu te tens,
E por mais que eu me encante,
Não é branco o elefante
Das palavras, quando as escreves...
Tu, sim, tu não as tremes.
Tens certezas infundadas,
Mas arranjas fundamento para as palavras...
Mais do que eu, és tu e o céu:
A beleza inconfundível,
O desejo intransmissível,
O carinho que é só teu,
A ternura que não deu,
Me foi roubada,
Por palavras.....
As palavras!
Não sou eu,
E ao tentar sê-lo, disperso-me...
Perco-me entre palavras que distinguem personagens no meu ser...
E quem sou eu? Não sei.
Procuro-me entre o que escrevo, e nem nas letras mais recentes me encontro.
Não quero depender de uma presença, mas sei que apenas "tu" me ajudarás...
Apenas tu, se o desejares...
Não és tu,
E ao tentar que o sejas, eu me perco...
Disperso-me entre textos que suscitam o meu desejo do teu ser...
E quem és? Não sei...
Encontro-te entre o que escreves, mas nas letras mais recentes tu te perdes...
Não dependas do meu sorriso para a tua poesia, sei que o teu é única poesia...
Apenas o teu, se (eu) o desejar...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Cheira a flores...
Aproximo-me da sua frescura,
Elevo-me à sua altura para voar...
Com as asas na mão, tento-as alcançar
Por um momento,
Em que tanto me tento em as roubar,
E ao seu perfume,
Mas roubo-as em pensamento...

domingo, 21 de junho de 2009

Estou a atrofiar. É este o meu estado neste momento. A próxima semana vai ser para mim como a pior semana de todo este ano lectivo, a menos que as coisas corram bem. A minha mente pede-me descanso, carinho, ternura, auto-estima, passeio, sei lá... Mas o meu corpo não lhe pode dar, ou vice-versa... Não sei como pegar mais no estudo... Sinto-me em areia movediça... E chamo por ti para me agarrares... Mas sei que não vens. Já esperei várias vezes e não vieste... Preciso de........

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Neste momento estou sentada na minha cama, como se quisesse fugir às nuvens e à chuva que abafam o tempo lá fora... Antes de chover, estava um calor abrasador, pelo que a chuva veio amansar e arrefecer o tempo quente... Soube-me bem receber aquelas gotas de chuva na minha pele, como se fossem beijos. Foi inspirador, embora nada se movesse a minha volta enquanto "os" recebia. Esta cidade é fantasma, e sem querer, talvez, situo-me no espaço e no tempo a pensar em ti, a depender de ti como inspiração para devolver esses beijos que a chuva me entrega, pensando eu que talvez sejas tu a envia-los. Mas não quero pensar assim, nem fazer-te pensar, já que é apenas a chuva a tocar-me sem um sorriso ou olhar, transparente, lúcida e fresca...
Nada se move, senão os pássaros como manchas negras no céu que esperam ansiosamente pela trovoada, como eu espero por ti... Sei que não vens, pelo menos agora, pelo que me tento a esperar, tentando não derramar o meu sangue na esperança de te ter... Se assim não for, sinto-me. certa, a morrer...
Não me recordo de ti nos dias de chuva... Talvez te tenha associado à certeza do calor do sol por seres quente como o meu corpo quando te vê... Um dia senti-te quase tão perto que nem a chuva, hoje, nos meus pés, no meu peito, ou nos meus braços... A chuva... Porque o mais perto que estiveste de mim, foi o coração...

Vou parar de sonhar e abrir os olhos para acordar... Como disse, estás longe... Como disseste, não podemos atirar-nos de cabeça a situações inconcretizáveis... Deixas-me continuar?

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Roubas o sentido às palavras
Quando me incumbes proferi-las.
És tu e o tempo,
O calor ou o momento
Que eu desejo para por fim às minhas feridas.
Mas não sei.
Em mim crias qualquer espécie de arrepio
Que me cala por saber o que me encantas…
Porque não me estancas?
Estás longe e fazes o meu peito chorar…
Não sei se te quero amar,
Talvez o melhor seja esperar,
Mas eu não tenho tempo…
Não quero dever favores à lua
Por ter desejado em tempos
O que tenho…
Se a distância percorrida
Demorou eterna e querida
Até ter-te como tenho,
Então peço um desejo ao sol
Para dar-te o corpo mole
E nele levar-te até a Lua…
Que não é minha e nem será tua…
Mas espero-te, sem te querer assim,
Mas assim te quero,
Mas assim te espero,
Como o prometido…
Peço-te um beijo.
Mas na sua protecção não resguardo segurança,
Como quero…
As palavras correm-me, como deveriam os meus dedos na tua pele….
As palavras comem-me por dentro e deixam sabor a mel…
Desejo-te…
Mas não sei voar para te levar ao céu,
Logo, não o esperes…
Um dia, pedi um desejo à lua
Pedi-lhe que fosse eu tua…
E agora, se fores tu meu,
Não te sei levar ao céu…
Ensina-me a voar com o teu beijo,
A escrever com os teus dedos,
A sonhar com os teus olhos,
Já que um dia prometi,
Já que um dia jurarei
Que, sobre ti, nunca escrevi,
Que, sobre ti, não escreverei…

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A Raiva rouba-me a Esperança,
Por saber-me não te ter...
Das tuas palavras não ganho
Senão raiva para esconder.
Com o tempo torna-se oculta,
Com a loucura, dormente...
Não é tua essa culpa
Do que o meu coração sente.
E ele, não mente...
Espero sem ter razão,
Pois também a raiva a levou...
Não sei quem te deu a mão,
Não sei quem mais te deixou,
Sem ter sorrisos...
O teu sorriso, me roubou.
Não sei pelo que esperar,
Mas espero imersa em tormenta...
Acho que nunca tentei
O que o meu coração tenta,
Sem te ouvir,
Sem te sentir,
Sem te ver
Ou te sorrir,
Não sou...
Persisto na minha loucura,
Com medo de te esquecer...
Não esqueço essa que foi ternura
Da ternura de to ver...
Ao teu sorriso...
Vendeste-mo em troca da esperança,
Que ficou vazia no peito.
Agora, nada tenho.
O sonho, jamais retenho,
Com a esperança de o sonhar...
Sabes lá o que é te amar...
Sei lá o que é me amar...
E agora, nada resta,
Só a esperança de o sorrir,
Com a vontade de o chorar.
Nada teimo, nada tenho.
Um dia quis-te roubar,
Para fazeres companhia
Ao teu sorriso,
Que teimo em guardar.
E o que me resta?
Esperar...

sábado, 6 de junho de 2009

No meio de uma data de sons que não me ouvem, prometo-me cantar. Finjo que nada me afecta, no calor que o frio não me faz sentir. Estou incompleta por não ser eu, não voltarei a ver o mar, não voltarei a sentir o mar bater com a espuma nas minhas canelas. Não vou gritar. Vou dopar-me com a alegria de ser triste, por a tristeza ser maior do que a franqueza. Será por não rezar que me afecta esta tortura, que me descrimina esta ansiedade que me leva à loucura, que não é loucura?? Mas a vida é dura... Finjo cantar. Ninguém nota a diferença no tom da minha voz. Não canto. Remorso-me da falta que me faço, do quanto me entreguei sem ser feroz... Mas fui feroz ao me entregar, mesmo que só com as palavras! "Palavras"! A "palavra" é proibida, não a sinto! Bebo sangue do meu corpo ao engolir tudo o que me rodeia, directamente da minha veia, sugo a alma que não tenho, que perdi, para ti, que não sei quem és. Mas não vou falar de ti, não aqui, não ali, nem acolá! Não existes. És o primórdio da insanidade mental, porque simplesmente não existes! E eu falo de ti! Típico! Não exageras na vontade que tens de me fazer feliz, como eu penso que um dia possas vir a fazê-lo, mas que digo eu, se não existes. Penso eu ter um lugar a TUA espera, mas não tens a chave para o abrir. Não seria o coração. Não seria, talvez, a minha mão. Mas a tua na minha? Não. São pequenas demais para agarrar tal responsabilidade que é a de agarrar alguém que tem a responsabilidade de me fazer feliz... Ficaria presa em mim mesma. Estou cega pela razão contrária à razão que faz quem pode ver ser cego. Não te vejo... Logo, não existes. Mais? Não. Não sou Fernando Pessoa, sou heterónimo sem razão. E escrever não me basta para viver, quando o pensamento faz tudo para que eu morra.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

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Mais um sonho por água abaixo. Algo que, não obstante os sonhos que tenho enquanto durmo, me dói profundamente.
Solução: deixar de sonhar ------ Repercussões: deixar de me sentir viva ------- Remédio: rir é o melhor remédio.

Sem título1

A partir da aula de sociologia, onde neste momento me encontro a meditar, reflicto. Não sei se tudo o que me passa a frente merece o meu olhar atento, mas a verdade é que simplesmente não sei para onde olhar. Não vou voltar a repetir o verbo apetecer, porque de tudo o que me apetece fazer, nada realmente merece a minha verdadeira atenção, porque cada vez mais tenho a certeza que é um desperdício de tempo pensar nisso. Mas algures na minha mentalidade ecológica, encontro situações nas quais me perco intensamente, e por me perder, não as encontro. Conclusão: não sei em que pensar.

Gostava de te ter, desconhecido, em quem penso tanto (pensamento que mais precisa de ser reciclado - para fazer coisas novas), disponível para pensar em mim tanto quanto eu me dedico a isso, pelo que sei que não tenho.
Chamam-me louca por escrever mais rápido que o que penso, mas eu sou louca por não pensar quando escrevo.

Como dizia Fernando Pessoa, um dos meus poetas de "engate", sinto a dor de escrever. Sinto-me heterónima desse poeta, que me enforca de tal dor que me transmite, por me encarnar profundamente n'"Isto".